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sábado, 7 de dezembro de 2013

os suores das nossas vidas






Estou perante a noite mais profunda,
a delicada noite das raízes: vejo rostos
vejo os sinais e os suores das vossas vidas.





segunda-feira, 4 de novembro de 2013

sulcado por um tranquilo rio sumptuoso







É por ti que escrevo que não és musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul
É porque amo a cálida formosura do teu torso
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar de água iluminada
o teu sorriso solar
é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a túmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um oásis
para a oferenda do meu sangue inquieto
onde pressinto a vermelha trajetória de um sol
que quer resplandecer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso.





quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Não posso adiar o coração






Não posso adiar o amor para outro século
não posso

ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.




quinta-feira, 22 de agosto de 2013

do silêncio







A casa é viva
(A mulher dorme)
Dorme na espuma
nas cores puras
Dorme na espuma do silêncio

Planos brancos
e cores lisas

Dorme no vidro
tranquilo

Dorme viva

*

A casa é branca
É mais branca no silêncio
É mais branca entre as árvores

A própria cidade é branca

*

A cabra
cheirou a casa
cheirou o branco

O puro nó
do silêncio

*

Chego em silêncio
à mulher viva
dormindo

A casa é ela
em espiral
rodando
branca

*

É fino o ar
quase sem pó
uma árvore dá
uma curta sombra

Uma brisa lava
a casa fresca

A varanda nua
é seca e branca
com sede de mar

*

A caranda é nua
a mulher é nua

*

Da casa branca
vê-se o mar
o fulvo dorso
da praia
nu
mulher de areia
deitada e panda
na frescura azul

*

Uma vela branca
de minúcia fresca

dá ao olhar a brisa

dá ao silêncio o mar

*

A mulher dorme
viva
na espuma
do silêncio